Arquivo do autor:Denise Agassi

A saúde pública no Brasil*

O Brasil está doente! A manifestação de uma enfermidade é um sinal de esgotamento, sobrecarga ou carência de elementos no corpo físico e, desde um olhar macroscópico, no ‘corpo’ social.

O próprio sistema de saúde está esgotado, com ambientes hospitalares insustentáveis, que demandam ferramentas, equipamentos e equipes especializadas, médicos qualificados, remédios. Tudo isso depende de órgãos públicos (de um sistema político corrompido) que, por sua vez, não funcionam adequadamente para se `SUS-tentar`.

Atualmente quase todas as pessoas vivem ‘remediadas’ para que se torne mais tolerável ou suportável a dor e a vida. Mas que ‘remédio’ podemos dar para cuidar do outro e fazer com que ele de fato tenha saúde? O ideal seria criar condições para que a vida se manifeste plenamente, em vez de vivermos em constante condições adaptativas de sobrevivência que geram estresse, dependências e outras doenças.

Para tanto é necessário que o país cuide de suas terras para alimentar melhor seu povo, cuide de seu ecossistema, de suas relações políticas, da educação de seus filhos, pois o cenário da saúde é um reflexo de ações históricas que levaram o país a se inflamar.

Enquanto isso, podemos cuidar uns dos outros e de nós mesmos.

*Redação admissional na UniSantanna – 1sem/2017 

Entrevista sobre a obra Subindo a Torre Eiffel

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Questionário sobre a obra Subindo a Torre Eiffel* elaborado pelo Andre Damasio Ferreira Delfino, graduando do curso de Cinema de Animação e Artes Digitais da UFMG.

 

1) Como se deu a concepção da obra Subindo a Torre Eiffel e a realização da mesma?

Meu interesse durante o mestrado foi investigar as fotografias de viagens, a relação das pessoas com os monumentos e lugares turísticos. O que me intrigava era o padrão de comportamento repetitivo que resulta em fotografias muito semelhantes. Era o início das Redes Sociais e da imagem digital, por isso, as fotografias não só estavam nos álbuns de família, como também, compartilhadas na internet. Comecei a colecionar estas imagens, mas logo percebi que não teriam fim e seria frustrante continuar com este procedimento, precisava criar um sistema que capaz abarcar as imagens em fluxo.

 

2) O que você pretende discutir com essa obra?

O principal interesse era buscar modos de nos relacionarmos com as informações que estão sendo produzidas a todo momento, bem como, perceber as subjetividas da rede e possibilitar uma experiência com os dados ao visualizá-las de modo orgânico e expressivo.

 

3) Qual a importância da rede nessa obra? Teria sido diferente sem ela?

Sim, não teria sido possível sem ela, seria outra ‘coisa’. A rede é uma estrutura física para o fluxo ininterrupto de vida.

 

4) Qual sua concepção de autoria nessa obra e nas obras que usam informações de rede social em geral?

O que diz respeito a autoria artistica é o de conceber a obra em si e criar a possibilidade para a experiência estética, crítica e sinestésica, ampliando as possibilidades de sentido para os dados, que, por livre e espontânea vontade foram disponibilizados na rede pelos usuários. Dados por si só não criam sentido, é o contexto que dá sentido à eles. Didi-Huberman (2000), reconhece que “a ‘imagem-arquivo’ é como uma imagem indecifrável e sem sentido enquanto não for trabalhada na montagem, antes de ser colocada em relação com outros elementos – outras imagens e temporalidades, outros textos e depoimentos.”

 

5) Como você vê as informações das redes sociais sendo usadas por artistas digitais e como isso pode ser discutido nessa obra?

A internet atual é um sistema de trocas e colaborações: o Google oferece uma série de serviços para ter nossas informações; os artistas, oferecem experiências, consciência, percepções de mundo e de nós mesmos. No caso da obra “Subindo a Torre Eiffel” e outras de minha autoria, as informações não são retidas, são exibidas em fluxo ininterupto (até que caia a conexão). Acho engraçado que não questionam o Google por usar nossas informações (ainda que ganhem muito como isso).

 

5) Qual o papel da interface nessa obra e em obras que usam informações de rede social?

Na obra, a interface possibilita estabelecer uma relação entre os Protocolos de Internet e o usuário que não tem conhecimento de programação. Além disso, por ser artista, a instalação é parte fundamental da interface.

 

* A obra “Subindo a Torre Eiffel” foi apresentada na exposição Teknné, em 2010, e na exposição Galeria Expandida, em 2009. + informações http://midiamagia.net/projetos/subindo-a-torre-eiffel/